Rotina

Eu quis vinho e serviram gasolina,
o tesouro do reino virou vidro,
o meu príncipe agiu como bandido,
toda corte encharcou-se de propina;
as bonecas de pano e cartolina,
protestando que armário é igual presídio,
incendiaram CDs, fitas de vídeo
e o que mais não foi meu quando menina.
Veio a hora em que o sol vaza a cortina
e acordei quase à beira do suicídio.

Tive um dia empoeirado de rotina,
minha estrela das tardes se apagou,
o meu tédio impediu que eu fosse ao show
de uma rosa acrobata e dançarina;
o romance do herói e da heroína
já no meio do filme se acabou
como artigo banal de camelô
ou história que rola em cada esquina.
Quero a febre da musa clandestina
que apaixona o violeiro no metrô.

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