Nem feijão nem água

(com Carlos Catuípe)

Se pensares que são tuas,
meu senhor, minha senhora,
toda fauna, toda flora,
as quatro estações e as chuvas…

se pensares que dominas
a vazão de cada fonte
e ordenas dias e noites,
brilho do sol ou neblina,

amanhã, desse chão
não terás nada
– nem um pé de feijão
nem fio de água.

Se acreditas que governas
o fogo que pões na mata
e a sede que se desata
quando arde o ventre da terra…

se acreditas que conduzes
os ventos a teu serviço
e a vida como um ofício
de gastar sombras e luzes,

amanhã, desse chão
não terás nada
– nem um pé de feijão
nem fio de água.

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