Milonga morena

(com Talo Pereyra)
Intérprete: Neto Fagundes / Reponte

Eu levo a vida entre milongas lentas,
milongas feitas pra levar a vida,
às vezes são acenos de quem parte,
às vezes são acenos de boas-vindas.
Eu tenho uma milonga que te acena
de todas as manhãs onde eu estive,
das pátrias que não fiz pra te ver livre,
feliz e doce milonga morena.

Não sonhes teu cantor com outro ofício,
um construtor de sonhos ou de estradas,
eu vivo a construir-me desde o início
e sei que ainda sou obra inacabada.
Mas tenho uma milonga que te acena
em brisa campesina ou suburbana,
feliz e doce milonga morena,
prendada, sim, mas bem mais haragana.

Foi tudo o que aprendi lá na fronteira
onde o pampa me fez e o mar me fez
e a vida me ensinou que a sensatez
é freio de paixões e desatinos.
Foi lá que me ensinaram que o destino
se faz a cada dia, a cada mês.
Não vês, morena, ainda sou menino,
dizendo sim e não e não talvez.

Eu aprendi milongas, castelhano,
tangos e valsas e andar no escuro.
Me importa pouco o rumo do futuro,
eu tenho tua lembrança por querência.
Então, feliz de mim cultivo hortênsias,
palmeiras, girassóis e uma esperança.
Não vês, morena, sou tua criança,
não ganhei vida pra chorar tua ausência.

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