Memória da Província de São Pedro

(com Talo Pereyra e Mauro Moraes)
Intérprete: João de Almeida Neto no LP 1º Minuano da Canção / 2002

Tem mais de século e meio
entre o que havia e o que há.
Sem terra era então gaudério,
sem emprego, posse ou lar
– famílias perambulantes
em busca de onde acampar
(tem mais de século e meio
e algo se fez continuar)

Tem quase duzentos anos
entre o que havia e o que há.
Índio era peão ou tropeiro
até a hora de guerrear,
negro era coisa de branco
– propriedade a explorar.
Estancieiro era estancieiro,
dono de tropa e lugar.

Elites-povos-elites
desde antes e até estes dias
– que solitários limites
há entre o que há e o que havia!

Peão era um pouco gente,
igual a artista, soldado,
operário e mais alguns
– nenhum menos maltratado
(será o tempo o que mais muda
entre o presente e o passado?)

Tinha outra gente mais gente
do que o povaréu citado
havia oficiais das armas
(mais soldados que os soldados),
professores, comerciantes,
charqueadores abastados.
Estancieiro era estancieiro,
dono da terra e do gado.

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