Matreiras

CAPA ROMANCES DE CAFUNDOS 001

(com Talo Pereyra)

Quando uma boca pintada
e outra molhada de vinho
se encontram na madrugada,
o tempo corre sozinho,
porque Isabel, namorada,
ama com Tião no seu ninho.

Foi no bailão do Dinarte
que se formou o casal.
Ele, tropeiro e mascate,
passeava na capital.
Ela era porta-estandarte
frustrada de carnaval.

No ônibus do meio-dia,
sem fantasia na mala,
veio Isabel que fugia,
sem multidão a saudá-la,
só com Tião que sorria
mais lindo que um mestre-sala.

O povo lá da fronteira
já sabe onde anda esse par
quando dá flor a roseira
em meio a enchentes de luar
e teme ser passageira
tanta vontade de amar.

Mas quem foi porta-bandeira,
quem é violeiro e peão,
conhece bem as matreiras
manias do coração.

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