Flor de guria

Palavra, te cantaria
ainda que eu fosse infeliz,
por mais que fosses vadia

Guria, flor de guria,
te seguirá, teu cantor,
até os confins da poesia,
pra lá de onde a vida for
abrindo as noites, os dias
e alguns delírios de amor
num bar de periferia
perdido ao sul do Equador

Guria, flor de guria,
perdoa a voz ordinária
– gastei-a um pouco em folias,
um tanto em lida operária
e o resto às vezes entrego
às festas imaginárias
que as gaitas roucas dos cegos
animam nas rodoviárias

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *