Flor da minha laia

(com Carlos Catuípe)

Não precisas de entrar no feicebuque
pra saber quem eu sou, onde vivi…
Conto já: minha pátria é por aí,
entre tango, baião, roque, batuque…
Não há nada que viva e não me eduque
e nem truque ou promessa que me iluda;
se te anima confiar que Deus te ajuda,
te direi que assim seja a vida inteira
e que atentes aos fatos, companheira:
flor calada não é igual flor muda;

eu percorro o Brasil sempre que posso
– o agreste, o sertão, a pampa, a praia –
repartindo da flor da minha laia
as paixões de abalar da alma aos ossos;
dividindo as migalhas quando almoço;
avivando os jardins sob a fumaça;
se me dás um jasmim, planto uma praça;
se me dás um abraço, te dou colo…
Tantas mães têm os filhos deste solo
que lhes custa temer qualquer desgraça!

São de terra, de fogo, de água e ar,
são de bicho e de gente – fêmea e macho –
as palavras que escrevo e assino embaixo,
as palavras que solto a céu e mar
com perfume da flor mais popular
e esperança colhida rua afora
canto verso festivo pra quem chora
canto verso amoroso pra quem pena
e onde o povo já canta, eu entro em cena,
digo um verso bonito e vou-me embora.

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