Coplas de amor

Eu ando a inventar cenários
que enfeitem o nosso amor
como o sol faz, ao se pôr,
e fazem, sempre, teus lábios.
Derramo luzes nos bairros
e estrelas no cobertor,
transformo tijolo em flor
e animo as cores de maio
com precisão de operário
e inspiração de pintor.

Levanto, com grãos de areia,
cidades de teu agrado;
os ventos, chamo a bailados,
perfumo rios, com gardênias.
em alvoradas boêmias
ensaio coros de galos;
mil ruas tenho bordado
e, em canteiros de avenidas,
sonho namoros de orquídeas
com garnizés fantasiados.

Sobre palcos campesinos
eu te ofereço uma festa
em que se neguem às rédeas
tropilhas que ainda imagino;
e se rebelem violinos
contra a apatia da orquestra;
e o gado assuma o domínio
de cercas de arame e pedra,
mostrando como se quebra
regra de imposto destino.

Aos que podem neste estado
reclamo leis e magias
que anulem noites e dias
que vivamos separados.
Confessarei meus pecados,
aumentarei meus fracassos
e hei de mentir que são falsos
os fogos desses feriados
em que dançamos descalços
sobre um viaduto enluarado.

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