Com flores e luz

Quando mais me parece impossível
mais se alegra o jardim,
como se conquistasse por mim
as paixões e os amores felizes
de alguns trechos de filmes,
livros e folhetins;

quanto mais me aproximo do outono,
mais floresce o jardim,
como se despertasse por mim,
das ruínas de mil pandemônios,
as paixões dos meus sonhos
e uns amores sem fim.

Mas é tarde. Nos becos de Roma,
Buenos Aires, Pequim e Madri;
na nascente e na foz do Amazonas,
em Paris, Istambul ou Chuí;
se me arderam paixões, esqueci;
e o que eu soube do amor, me abandona;

vão, de mim, ilusões e memórias
e paixões e perfumes e orquídeas
e romances de ocasos e auroras
e as palavras mais ditas e ouvidas.
Haja sol sobre as ruas floridas!
Eu, com flores e luz, vou-me embora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *