Cheirando a primavera

(com Talo Pereyra)

Eu ando a procurar pedras preciosas
como se garimpasse o meu delírio.
Não há parceiro que me leve a serio,
nem rio, nem montanha, nem mistério,
nem temporal, inundação ou tiro
que me detenha o passo se eu não quero.

Eu ando a procurar ouro, diamantes,
quem sabe, uma esmeralda ou um rubi;
quem sabe, o sal da terra, o mel da terra,
o rastro em que andarei perto de ti.

Semeio flor de baile, flor de estrada,
flores de carnaval, d’agua e de lã,
flores de amores, flor que não se cheira
e a flor definitiva do amanhã.

Deve ser essa a flor que me desperta
diante do tempo que hoje me ameace,
deve ser essa a flor do meu disfarce,
da fantasia que não abandono.
Hoje acordei cheirando a primavera,
por mais que a vida dê sinais de outono.

Venham então os bandolins os cânticos,
os últimos românticos, as flautas,
as serenatas, todas serenatas,
os mágicos de circo e botequim.
Inda que a vida dê sinais de outono,
a primavera se apossou de mim.

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