Ávida fêmea

Caminhavas além da rua estreita
que a cidade suspeita seja o beco
onde três marinheiros, três suecos,
se mataram de amor por negra esbelta;

caminhavas, qual deusa de uma seita,
uma ordem secreta em que o castigo
era não poder mais deitar contigo
entre azuis, uvas, brisas, borboletas…

Parecias a fera frente à presa,
não a meiga princesa ante o amado;
não a moça que sonha com noivado,
mas a viúva voraz, ávida fêmea;

parecias a pássara vermelha
que o verão anunciava ao meu futuro,
quando iria te achar, mesmo no escuro,
mesmo tonto entre tiros e gardênias.//

Eu te vejo na rua em que não passas;
te convido a dançar – e estás ausente,
mas eu sei em que tangos te escondeste
e em que valsa ou bolero te disfarças.

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