Atrás de um refrão

CAPA ROMANCES DE CAFUNDOS 001

(de Romances de Cafundós / 1992)

Eu ando pela cidade
quase igual a um jardineiro
– um olho na flor da idade,
o outro sem paradeiro,
um passo preso aos canteiros,
outro rumo à liberdade

Hoje me bate a saudade
de ouvir um novo refrão
que venha em xote ou fricote,
venha num rock ou baião,
seja de roça ou boate,
seja de praça ou galpão,
fale do sul ou de Marte,
só não fale em tradição.

Eu ando pela cidade
quase igual a um lavrador,
planto semente à vontade
no tempo mais promissor
mas pra o cultivo do amor
não penso se é cedo ou tarde

Qualquer dia o amor parte
E eu sigo atrás de um refrão,
Mas até lá hei de amar-te
na sombra de um caminhão,
sob as palmeiras do norte,
sobre o azul de um colchão.
Colo de porta-estandarte
me acolhe em doido verão.

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