As pombas da praça

CAPA ROMANCES DE CAFUNDOS 001

(de Romances de Cafundós / 1992)

A saudade de mim, quando vier,
há de ser descoberta como a rua,
irrequieta como água de maré,
deslumbrante como é uma fêmea nua

(As mulheres despidas
inocentes plantavam
alegrias e orquídeas
e sementes e cravos.
Nas marés de lua cheia
e poesia e naufrágios
me atiçavam as veias
incendiando meus lábios)

A saudade de mim, quando chegar,
há de estar disfarçada em bailarina
e pisar em qualquer calçada ou bar
como quem vai flutuar ou imagina

(As mulheres aladas
Vinham com seus mistérios,
seus anéis de esmeralda
e seus passos aéreos.
Ao pousar na cidade,
como as pombas da praça,
resumiam as tardes
ao redor de sua graça)

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