A minha gaita

(com Jorge Mota)

Eu tenho idade inexata
e um endereço por dia
onde me leva a poesia
que brota da minha gaita
e jorram, como em cascatas,
memórias das minhas musas,
todas mestiças: cafuzas,
mamelucas e mulatas

Se fosse de ouro e de prata
o tesouro que juntei,
eu não seria este rei
que sou com a minha gaita;
o rei de um reino sem datas,
sem armas e sem fronteiras,
sem hino, escudo, bandeira
– que nada disso faz falta.

Nunca sei do que se trata
quando dizem “fim de festa”;
e se alguém desfaz a orquestra,
mais resiste a minha gaita
e mais repito em voz alta
os versos que eu aprendi
do vasto mundo do Chuí
ás paixões, ainda mais vastas.

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