Canto da roda

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(com Ivaldo Roque e Talo Pereyra)
Intérpretes: Raul Ellwanger e Nana
LP 9ª Califórnia da Canção Nativa / 1980

É novo o peão que roda
É linda a prenda que dança
É forte o canto da moda,
Mais forte do que a esperança.

É bravo o canto da roda
É caro, a quem planta, o trigo.
E se este verso incomoda,
que os justos cantem comigo.

A força que tem meu verso
não é de meus braços finos.
É da lei que os campesinos
geraram por rebeldia.
É da mais grave agonia
que a desigualdade traz.
É do suor dos piás
que o patrão não avalia.

A força que tem meu verso
não veio do berço, não.
É força que a privação
Impõe, criando infelizes.
É força que as cicatrizes
Impõe, riscadas na gente.
É força que, de repente,
faz sementes e raízes.

Minha alma combatente
me faz parceira fiel
do soldado sem quartel
que revolve a terra crua,
que sangra e que não recua
plantando pra não colher,
colhendo pra não comer,
marchando agora pra rua.

Mais do que o verso não trago
pra luta que agora travo.
Mais forte é o canto do escravo
que canta, embora as correntes.
E a lo largo, quanto as mentes
se abrirem pra novas normas,
decerto virão reformas
brotadas destas sementes.

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