Braço, paixão e fé

page-0001

(com Talo Pereyra)
Intérprete: João de Almeida Neto no LP 5º Acampamento da Canção Nativa / 1988

Pega os guris e vamos pra cidade
que a terra nossa, nossa já não é.
Era uma roça, talvez era um sonho
feito de milho e de feijão no pé.

Nega saudade,vamos pra cidade
cruzar esquinas, obras e igrejas.
Era uma festa, talvez era um sonho:
a plantação, a paixão, a cerveja…

Mas há que ter cuidado e trabalho novo,
senão o delegado nos prende por estorvo,
e a gente que saiu daqui querendo não sair
pode virar inútil por aí.

Pega os guris, os homens já chegaram
e a terra nossa, roça já não é.
Era uma graça, talvez era um sonho
feito de braço, de paixão e fé.

Chega de espera, vamos pra cidade
domar as feras, dominar a sina.
Era uma festa, uma graça, uma roça
ou talvez era um sonho que termina.

Mas há que ter marcado um dia de levante
– se prende o delegado,
se manda em comandante;
e os homens que chegaram sem nada por cumprir
vão se dobrar um dia por aí.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *