De terra e lua pampeira

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(com Talo Pereyra e Mauro Moraes)
Intérprete: João de Almeida Neto no CD 5º Canto da Lagoa e no CD 27ª Califórnia da Canção / 1997

Terra fértil, água e mato,
fruto e flor, alvorecer.
Vasto pampa, vasto e vasto,
eu gosto de te querer,
mas vê que o rumo do rastro
de um povo que quer viver
de ti se afasta e me afasto
pra plantar e pra colher.

Vida não é tempo gasto.

Eu olho a lua na estrada
e perco o sono, saudoso
do gozo da fêmea amada,
do passaredo no pouso,
de tardezinhas serenas,
da roça plena de milho,
do berço à espera do filho,
do pôr-de-sol feito estampa.
Acho que a lua do pampa
acampou no meu exílio.

Eu olho a lua na estrada
e abraço a luz que me ilude
com febre de juventude,
perfume de madrugada,
retorno à terra que eu tinha,
caminha o tempo ao avesso,
passo a esquecer que envelheço
e lembro que há quem me queira.
Acho que a lua pampeira
noivou comigo em silêncio.