Trova peregrina

Às senhoras e aos senhores,
nutridos de almoço e janta,
sirvo agora voz e versos
que a alma impõe à garganta
como a vida exige sonhos
ao trabalhador que canta.

O trabalhador que canta,
mesmo com peito estropiado,
espalha por toda a pátria,
sob o lábaro estrelado,
que, apesar de haver quem negue,
povo é povo, gado é gado.

Povo é povo, gado é gado
(faz falta que se repita,
como a luz do sol faz falta
pra ver-se a Terra bonita,
a lua em cor de ouro ou prata
e o céu em que se acredita).

O céu em que se acredita
é tal e qual imagina
a gente que sabe ao certo
a quê a vida se destina
– como não ousa o cantor
desta trova peregrina.

Esta trova peregrina
não sacia o esfomeado
nem abranda frio e sede
nem ampara o desgraçado,
mas lembra, de praça em praça:
povo é povo, gado é gado.

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