Boleros e fados

Os desamparos do amor
me deixam tão transtornado
que eu anarquizo o carteado
(canto flor e contra-flor)
até que alguém, por favor,
cale os boleros e os fados.

As cicatrizes do amor
eu sinto e trato sozinho
em bebedeiras de vinho
e em lágrimas sem pudor.

O amor que me felicita
volta entre março e agosto;
às vezes, tem outro rosto
ou traz o mesmo, mas pinta.

A história do meu amor
é obra de cinco autoras:
a que incendiava lavouras
enquanto dançava nua;
quem me olhou no olho da rua
e a rainha sem coroa
e a virgem das três lagoas
e a que não disse: “sou tua”.

 

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