Pra depois dos carnavais

O povo de quem sou filho
me ensinou, pra vida inteira:
não tem mar ou cordilheira
que detenha um andarilho;
com certeza, existe exílio,
mas não há terra estrangeira.

O povo dos meus iguais
sova o pão de cada dia
fabricando fantasias
pra depois dos carnavais.

O povo de quem sou parte
ninguém dobra ou silencia;
e se a aurora se extravia
num apagão de obras de arte,
povaréu porta-estandarte
toma as ruas e alumia.

O povo dos meus iguais
sova o pão de cada dia
fabricando fantasias
pra depois dos carnavais.

O povo que me pariu,
num abril de outono pleno,
alardeou: mais um moreno;
previu: menos um servil.

O povo dos meus iguais
sova o pão de cada dia
fabricando fantasias
pra depois dos carnavais.

 

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