Xucra e forte

capa shana 5

(com Talo Pereyra)
1º lugar e Melhor Poesia no 13º Grito do Nativismo Gaúcho / 1999
Intérpretes: Ernesto Fagundes no CD 13º Grito do Nativismo; Shana Muller no CD Gaúcha / 2004
Um potro baio galopa
no rumo de meu olhar,
mas não tem potros a tropa
que ainda vejo a caminhar.
Quem dera que fosse xucra,
quem dera que fosse forte,
mas a força é de quem lucra
às custas de vida e morte.

No campo envolto em neblina
um boi brasino se esconde,
mas meu peito desatina
com ecos de não sei onde.
Quem dera, fossem de bandas,
quem dera, fossem de sinos,
mas são gritos de quem manda
desapropriando destinos.

Em truco e jogo de osso
a vida para um momento,
pois não há água de poço
que se agite com esse vento.
Quem dera, fosse ligeiro,
Quem dera que fosse novo,
mas vento não tem parceiro
e quebra aos passos do povo.

Meus olhos de boitatá
campeiam vida no escuro
querendo sempre alumiar
o caminho mais seguro.
Quem dera que fosse perto,
quem dera que fosse claro.
Mas eu, que rondo liberto,
alerto, canto e não paro.

Não há razão que se esconda,
não há sonho que suporte
– meus olhos andam em ronda
pra saber de vida e morte.